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Arrastada pela segunda vaga, Europa endurece medidas contra o vírus

A segunda vaga de covid-19 está a ser mais forte que a primeira, em todo a Europa. Para proteger vidas, são vários os governos que apertam nas restrições à circulação de pessoas, para tentar travar o vírus.

 Portugal entrou, esta quinta-feira, em estado de calamidade, o segundo mais grave previsto na Lei da Proteção Civil. Com a segunda vaga em força, a República portuguesa segue o exemplo de outros países europeus, que apertam as restrições, que chegam ao recolher obrigatório, em França, e ao fecho de escolas na Irlanda do Norte, por exemplo.

As medidas, desenhadas para evitar o colapso dos sistemas de saúde, estão a preocupar as bolsas. Os investidores temem que as novas restrições de mobilidade em algumas zonas como na Alemanha, Paris e outras cidades de França, ou Espanha atinjam ainda mais a situação económica da Europa, que se esforça por conter os efeitos da segunda vaga da covid-19, que está a ser mais forte que a primeira. Por toda a Europa, aperta-se o cerco.

Espanha

A região autónoma da Catalunha vai fechar bares e restaurantes nos próximos 15 dias. A medida, anunciada pelo líder regional interino, Pere Aragones, entra em vigor na noite desta quinta-feira.

Depois de Madrid, em estado de emergência há quase uma semana, a comunidade autónoma da Catalunha é a segunda mais atingida pela pandemia em Espanha, tendo desde o início da doença acumulado mais de 161 mil casos positivos (896 mil a nível nacional) e 5883 mortes (33204 em toda a Espanha).

A comissão regional da proteção civil (Procicat) da Catalunha aprovou as medidas, que incluem também a suspensão de aulas presenciais nas universidades e a suspensão por duas semanas de todas as competições desportivas catalãs – federadas, escolares ou privadas. Acresce, ainda, a redução da lotação dos centros comerciais para 30% e dos ginásios em 50%.

Reino Unido

Londres vai ter restrições adicionais para conter a pandemia covid-19, passando a ser proibida a sociabilização entre diferentes famílias em espaços interiores a partir de sábado, indicou o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan.

A medida, que carece ainda de aprovação governamental, deverá afetar quase nove milhões de habitantes na cidade de Londres, que vai passar para o segundo nível numa escala de três do novo sistema de restrições.

O nível de alerta mais alto, que por enquanto se aplica apenas a Liverpool, mas que o Governo quer alargar a Manchester e Lancashire, também obriga ao encerramento de “pubs” e bares que não sirvam refeições e recomenda às pessoas não entrarem ou saírem dessas áreas com maiores restrições.

As medidas mais duras entre os britânicos foram adotadas pela Irlanda do Norte, que além de bares e restaurantes ordenou, também, o fecho das escolas durante duas semanas. As universidades foram aconselhadas a dar aulas online. O comércio mantém-se a funcionar, mas “serviços de contacto próximo” serão encerrados na Irlanda do Norte.

Na Escócia, os bares e restaurantes das áreas de Glasgow e Edimburgo estão fechados até 25 de outubro, e o chefe do governo autónomo do País de Gales, Mark Drakeford, disse estar a ponderar “muito seriamente” um confinamento temporário.

Países Baixos, alerta elevado

A Holanda abandonou a frugalidade a que se arroga e apertou nas restrições. Haia anunciou o fecho de bares e restaurantes, a proibição de venda de álcool na via pública e limitou os encontros na rua a grupos de quatro pessoas.

O comércio vai adotar horários restritos. Escolas e transportes públicos continuam abertos na Holanda, mas passou a ser obrigatório o uso de máscara social para todos os cidadãos com mais de 13 anos em espaços fechados.

Um confinamento parcial pode durar quatro semanas, sendo avaliado à quinzena. O ministro da saúde da Holanda, Hugo de Jong, disse que as restrições podem ser ainda mais elevadas, se as atuais não resultarem.

Lá como cá, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, anunciou que pode fazer aprovar legislação de emergência para obrigar ao uso de máscara na Holanda, um dos países com uma maior taxa de infeção “per capita”.

Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou na noite de quarta-feira a introdução de novas medidas mais restritivas, após uma reunião com responsáveis dos 16 estados regionais, quando o país registou um número recorde de casos.

O número de participantes em eventos privados será limitado em regiões que registem mais de 35 novas contaminações por 100 mil habitantes em sete dias. Nessas áreas, as máscaras serão obrigatórias sempre que as pessoas estiverem próximas umas das outras por um determinado período de tempo.

Os encontros serão limitados a 25 pessoas em estabelecimentos públicos e 15 em salas privadas.

Uma vez ultrapassado o número de 50 novos contágios por 100 mil habitantes, regras ainda mais severas serão impostas, segundo as autoridades.

Itália

Em Itália, a ameaça de um confinamento geral paira nas palavras do primeiro-ministro Antonio Conte, que assinou, na terça-feira, um decreto com as novas restrições em ajuntamentos públicos, restaurantes, atividades desportivas e escolares.

Na quarta-feira, as autoridades italianas registaram um recorde de sete mil casos diários, o mais elevado de sempre.

Roma já impôs novas e mais duras medidas de controlo ao vírus, incluindo o fim de festas, a suspensão do futebol amador e o fecho de bares “snack” à noite.

Recolher obrigatório em Paris e outras cidades de França

O recolher obrigatório foi anunciado quarta-feira à noite pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Vai ser aplicado a nove regiões francesas a partir de sábado e pode vir a durar até seis semanas.

O recolher obrigatório vai ser instaurado entre as 21 horas e as 6 horas da manhã a partir de sábado na região de île de France (região parisiense), Lille, Ruão, Saint-Etienne, Toulouse, Lyon, Grenoble, Aix-en-Provence e Montpellier.

Tal como durante o confinamento, haverá exceções a este recolher obrigatório, mas salas de cinema, restaurantes e outros locais de frequência pública vão fechar a partir das 21 horas.

Os transportes vão continuar a circular mesmo depois das 21 horas e com a aproximação de duas semanas de férias escolares, Macron assegurou que não haverá qualquer restrição às viagens entre diferentes regiões.

O desrespeito destas novas regras vai levar à aplicação de multas, como aconteceu no período de confinamento. A multa será de 135 euros e pode agravar-se até 1500 euros.

Suécia

A Suécia, que adotou uma forma menos restritiva face à primeira vaga de covid-19, contabiliza mais de 100 mil casos positivos confirmados e mais de seis mil mortos, o triplo dos registados em Portugal, que tem sensivelmente a mesma população, 10 milhões de habitantes.

Com um aumento dos casos nas faixas etárias entre os 29 e os 50 anos, os suecos preparam-se para adotar políticas mais restritivas a partir do dia 19, essencialmente para tentar conter os óbitos nos lares de idosos, que reapresentam cerca de 60% do total de vítimas mortais da pandemia naquelas paragens.

No contexto das novas medidas para travar a segunda vaga, a Suécia vai autorizar, ainda, as administrações regionais a definirem linhas próprias de combate à pandemia.

Atualmente, as medidas em vigor na Suécia aconselham o teletrabalho sempre que possível, o recolhimento domiciliário em caso de sintomas, além das medidas habituais de etiqueta respiratória e social, como lavar as mãos e manter a distância.

A partir do dia 19, segundo informações que transpiraram para a imprensa britânica, a Suécia prepara-se para endurecer as recomendações: evitar transportes públicos e viagens não fundamentais; não visitar pessoas de grupos de risco, como idosos e utentes de centros de idosos; evitar a ida a centros comerciais, ginásios, piscinas e outras instalações interiores com muitas pessoas e evitar contacto físico, se possível, entre pessoas que não sejam da mesma família.

FONTE  Augusto Correia Lusa

Foto: Tolga AKMEN / AFP

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