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Terá o líder da Al-Qaeda morrido em Cabul? Afegãos dividem-se entre o ceticismo e a crença

Morto na varanda de uma casa no centro de Cabul por um ataque de drone? Muitos afegãos duvidam do anúncio da morte do líder da Al-Qaeda, Ayman Al-Zawahiri, escondido durante meses no coração da capital afegã, e pedem provas concretas.

A morte de Al-Zawahiri, por quem os Estados Unidos prometeram 25 milhões de dólares por qualquer informação que levasse à sua captura, foi anunciada na televisão pelo presidente norte-americano, Joe Biden, durante a noite desta segunda-feira.

Na manhã de domingo, horário afegão, “sob as minhas ordens, os Estados Unidos realizaram um ataque aéreo em Cabul, no Afeganistão, que matou o líder da Al-Qaeda”, destacou num breve discurso proferido na Casa Branca.

Foi um ataque com drones, com dois mísseis, sem presença militar no solo, ou qualquer outra vítima além de Al-Zawahiri, e sem causar danos significativos, segundo adiantou um oficial dos EUA. No Afeganistão, porém, há muitas dúvidas quanto a esta operação.

“Não creio que seja verdade. É apenas propaganda”, diz Fahim Shah, de 66 anos. “Já vimos propaganda como essa no passado, e não era verdade. Não acho que ele tenha sido morto aqui”, acrescenta este morador de Cabul, ouvido pela AFP.

Abdul Kabir, outro habitante da capital afegã, ouviu a explosão causada pelo ataque no domingo, pouco depois das 06:15 (hora local). Mas, cético, pede aos Estados Unidos que apresentem provas para apoiar a sua afirmação de que foi Zawahiri quem foi morto.

“Eles deveriam mostrar ao mundo que mataram esse homem e apresentar provas”, afirma. “Poderiam ter matado outra pessoa e anunciado que era o chefe da Al-Qaeda. Há muitos outros lugares onde ele poder-se-ia esconder, no Paquistão, ou mesmo no Iraque”, sugere.

De acordo com os norte-americanos, Ayman Al-Zawahiri morava numa casa de três andares em Sherpur, um bairro nobre no centro da capital afegã. Várias casas da vizinhança são ocupadas por altos funcionários e comandantes dos Talibãs. Ele foi morto enquanto estava na sua varanda, onde foi visto em várias ocasiões e por muito tempo.

De resto, este domingo, o ministro afegão do Interior, Sirajuddin Haqqani, deu força aos rumores, negando relatos de um ataque de drone em Cabul, dizendo à AFP que um missil atingiu “uma casa vazia” na capital.

Todavia, esta terça-feira, o porta-voz dos Talibãs, Zabihullah Mujahid, escreveu no Twitter que um “ataque aéreo” foi realizado com a ajuda de “drones americanos”.

Mohamad Bilal, um estudante, também acha improvável que o líder da Al-Qaeda vivesse em Cabul. “É um grupo terrorista e não acho que enviaram o seu líder para o Afeganistão”, explica.  “Os chefes da maioria dos grupos terroristas, incluindo os Talibãs, viviam no Paquistão, ou nos Emirados Árabes Unidos, quando estavam em conflito com as antigas forças afegãs”, lembra.

Já para Freshta, uma dona de casa que acredita na morte do chefe da Al-Qaeda, “saber que ele morava aqui” em Cabul é “chocante”, admite, recusando-se a dar seu sobrenome.

Crítico do governo talibã, um comerciante do centro da capital, que também não quis ser identificado, considera que a porosidade das fronteiras afegãs facilita a entrada de grupos armados. “Não temos governo. Somos incapazes de nos proteger, de proteger o nosso solo e as nossas propriedades”, disse.

Fonte
24.sapo.pt
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