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Guerra na Ucrânia: Kherson. Que contraofensiva é esta e como está a correr?

Quatro aldeias terão sido tomadas durante a primeira noite e Nova Kakhovka foi atacada. Operação para reconquistar cidade do sul deve avançar de forma lenta e envolta em silêncio.

Há meses que se acumulavam os rumores, mas agora é que foi de vez. Esta segunda-feira, a porta-voz do comando sul das Forças Armadas ucranianas, Natalia Humeniuk, anunciou que o exército do país iniciou “ações ofensivas em várias direções, incluindo na região de Kherson”.

Kherson é uma das maiores cidades ucranianas ocupadas pelas forças russas praticamente desde o início da guerra. “Politicamente, é o mais próximo que a Rússia tem de uma joia da coroa”, apontava uma fonte militar à BBC em julho. A reconquista da cidade pelos ucranianos, acrescentou, “minaria gravemente as tentativas russas de pintar a ocupação como um sucesso”.

Oficialmente, Kiev não deu mais informações sobre a operação militar lançada esta segunda-feira, mas algumas informações vão sendo conhecidas. A CNN falou com uma fonte militar que garantiu que quatro aldeias perto de Kherson terão sido tomadas nas últimas horas: Pravdyne, Novodmytrivka, Tomyna Balka e Arkhanhelske.

Houve também relatos de explosões em Nova Kakhovka (a segunda maior cidade da região) e, horas depois, a agência de notícias russa RIA Novosti avançava que a cidade ficou sem eletricidade e água durante a noite. Já o grupo de soldados ucranianos em Kakhovka, que tem uma página no Facebook citada pelo The Telegraph, anunciou ali que o 109.º regimento das milícias de Donetsk abandonou as suas posições na sequência dos ataques das forças de Kiev.

O ministério da Defesa russo, porém, diz que Kiev “falhou miseravelmente” na tentativa de reconquistar Kherson.

Uma contraofensiva prometida há muito

Há meses que as tropas ucranianas atacam as pontes da região, como a de Nova Kakhovka, com a ajuda dos lança-rockets fornecidos pelos Estados Unidos, os HIMARS. O objetivo é perturbar as linhas de reabastecimento das tropas russas e tentar isolar os soldados que estão em Kherson, para facilitar o avanço da contraofensiva ucraniana.

A contraofensiva, contudo, tardava em avançar. O analista Konrad Muzyka chegou mesmo a dizer ao jornal Moscow Times há cerca de duas semanas que “a janela de oportunidade” para atacar os russos na zona já tinha passado. Isto porque, entretanto, a Rússia tem reforçado o número de soldados que tem na região de Kherson, enviando tropas do norte e do leste para o sul. Atualmente, haverá cerca de 20 mil soldados russos em Kherson.

Perante esta situação e os anúncios de que Moscovo tenciona realizar um referendo na cidade em setembro para efetivar a separação de Kherson da Ucrânia, as forças ucranianas avançaram agora. No discurso diário do Presidente Volodymyr Zelensky, o assunto não foi abordado diretamente, mas Zelensky deixou uma mensagem às tropas russas: “Os ocupantes devem saber isto: vamos expulsá-los para lá da fronteira.”

Com pouca informação confirmada oficialmente sobre o avanço da operação nas suas primeiras 24 horas, um conselheiro de Zelensky veio dizer que não haverá tomada-relâmpago de Kherson. “Esta é uma operação lenta que foi planeada para triturar o inimigo”, escreveu Oleksiy Arestovych no seu canal do Telegram. “É claro que muitos gostariam que esta fosse uma ofensiva de larga-escala com notícias da captura da cidade pelos nossos soldados ao fim de uma hora. Mas não lutamos assim”. Arestovych pediu ainda “paciência”.

A contraofensiva para os ucranianos tomarem Kherson deverá, por isso, ser demorada. E não se espere um fluxo de informação detalhado. “Qualquer operação militar necessita de silêncio”, avisou Natalia Homeniuk logo na segunda-feira, quando confirmou que a Ucrânia tinha decidido passar a jogar ao ataque.

FONTE

  • Cátia Bruno observador.pt
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