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Donald Trump, o “Presidente Teflon”

Opinião Joaquim Dantas Rodrigues Advogado

O atual presidente dos EUA não é uma figura simpática, afável, nota-se que não frequentou qualquer curso de preparação política, cursos esses que, por norma, são de uso obrigatório nos aparelhos partidários. Por conseguinte, não fala como um político, não tem a manha nem a lábia dos políticos, embora chegue à Casa Branca como republicano.

É frontal e diz aquilo que pensa, embora os momentos em que o faz sejam por norma os mais errados, obrigando-o, desse modo, a emendar a mão logo a seguir. O Deep State não dorme… Donald Trump é um brilhante homem de negócios, habituado a comprar o que quer, mesmo que seja unicamente para satisfazer meros caprichos pessoais, e que se apaixonou pela política, terreno onde não pode haver paixões, nem, tão-pouco, ignorar subtilezas que obrigam a agradecimentos capazes de transformar os sapos em bois.

O milionário Donald Trump conhecia bem os políticos e os negócios que os distinguem, pois com eles conviveu diariamente e fez fortuna, mas só conhecia esse lado como empresário. O outro lado, o lado da política pura e dura, esse desconhecia-o, senão inteiramente, pelo menos na sua parte mais pragmática e implacável.

Nenhum presidente dos EUA teve de enfrentar tantos escândalos (verdadeiros e inventados) e questões legais. Mas nenhum desses escândalos pessoais, ou provenientes de colaboradores ou de ex-colaboradores do seu círculo mais próximo, o derrubou. E tanto assim é que o apelidam de “Presidente Teflon” (material com propriedades antiaderentes que impede os alimentos de ficarem agarrados às frigideiras ou aos tachos e panelas enquanto se cozinha, e de ser fácil a sua limpeza).

As recentes declarações de Michael Cohen, seu ex-advogado, não parecem ser de fácil limpeza, pois aquele causídico confessou (ou foi persuadido a confessar) que, em conjunto com David Pecker (patrão do grupo de comunicação e imagem – American Media, que trabalhou para Trump durante a sua campanha eleitoral), efetuou pagamentos para comprar o silêncio sobre os envolvimentos do milionário candidato à presidência dos EUA com a atriz porno Stormy Daniels e a modelo da Playboy Karen McDougal. Ora isto passou-se entre 2006 e 2007 (cerca dez anos antes da campanha eleitoral), quando, à época, Donald Trump já se encontrava casado com Melania, evitando, com a referida compra, danos na sua imagem de candidato.

A conduta de Cohen é considerada, nos EUA, violadora das leis eleitorais e das normas sobre o financiamento das campanhas partidárias, pelo simples facto de terem sido feitos pagamentos não declarados. E, para justificar esses pagamentos, falsificou faturas da contabilidade oficial da campanha, desviando dinheiro para estabelecer pactos de silêncio.

Mas, seja pela compra do silêncio das velhas aventuras galantes de Donald Trump, seja pela famosa (e fantasiosa) Russian collusion nas eleições americanas de 2016, não será por vias dessas que o “Presidente Teflon”, será afastado do Poder (impeached).

Embora os procuradores possam imputar Trump num crime federal – e temos de esperar até 12 dezembro para conhecer a pena de Michael Cohen – a destituição de um presidente nos EUA não é feita por via de uma decisão judicial, mas, sim, através de uma decisão política do Congresso.

A constituição daquele país diz claramente que um presidente pode ser retirado do cargo que ocupa por «traição, suborno ou outros crimes graves». Um «impeachment» começa na Câmara de Representantes, e qualquer deputado pode submeter à votação a proposta de «impeachment» por suspeita de crime praticado pelo presidente, bastando maioria simples dos votos dos deputados para o processo depois continuar no Senado.

No Senado, para ser aprovado o tal «impeachment», há que conseguir, pelo menos, o voto favorável de dois terços dos senadores. O Partido Democrata, figadal e bilioso inimigo de Donald Trump, precisava de conseguir aquilo que não possui, ou seja, dispor de mais vinte e três lugares na Câmara de Representantes e mais dois no Senado.

América da liberdade de imprensa (consagrada na primeira emenda), do federalismo dos estados, da liberdade religiosa, da independência do poder judicial, e tantas coisas mais, derrotar o chamado “Presidente Teflon” apresenta-se, de momento, como uma miragem, e nem as eleições do próximo dia 6 de novembro, que servirão para renovar a Câmara de Representantes e trinta e cinco dos cem senadores, lhe devem tirar o sono. E, para mais, com a economia em acelerado crescimento, e o desemprego a baixar diariamente a níveis absolutamente históricos…

Sócio Partner na Dantas Rodrigues & Associados

FONTE DN.PT

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DN.PT
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