Ciência

Sonda da NASA sobrevoou objeto celestial mais distante de sempre neste fim de ano

Objetivo: Ultima Thule, um objeto celestial localizado a 6,4 mil milhões de quilómetros da Terra. A sonda New Horizons aproximou-se em alta velocidade para poder fotografá-lo na véspera de Ano Novo, num sobrevoo de alto risco.

Trata-se do objeto mais distante que já foi estudado e com a sua captação a NASA celebrou a entrada em 2019, transmitindo o momento no seu site a partir do momento em que a New Horizons passou sobre esta relíquia gelada nos confins do Sistema Solar.

Num filme de simulação do voo da sonda, previsto para esta terça-feira às 00h33 local, horário de Washington, foi usada uma canção composta para a ocasião pelo guitarrista do Queen, Brian May, que também é doutor em astrofísica.

“Reunir estes dois aspectos da minha vida, a astronomia e a música, foi um desafio interessante”, explicou o ex-companheiro de banda do cantor Freddie Mercury.

A esta distância são necessárias mais de seis horas para que um sinal da Terra alcance a New Horizons e outro para que retorne. Mas, se tudo correr bem, as primeiras imagens de Ultima Thule chegarão à Terra no início da noite do primeiro dia do ano.

O Ultima Thule encontra-se no Cinturão de Kuiper, um vasto disco da época da formação dos planetas que os astrónomos às vezes chamam de “sótão” do Sistema Solar.

Os cientistas não sabiam da existência deste cinturão até aos anos 1990. Fica a cerca de 4,8 mil milhões de quilómetros do Sol, mais longe que a órbita de Neptuno, o planeta mais afastado do astro.

Este cinturão “está literalmente repleto de mil milhões de cometas, milhões de objetos como o Ultima Thule — que se chamam planetesimais, os elementos a partir dos quais se formaram os planetas — e um punhado de planetas-anões do tamanho de um continente, como Plutão”, explica Alan Stern, cientista envolvido nesta viagem.

“Isto é importante para nós na ciência dos planetas, porque esta região do Sistema Solar, longe do Sol, conserva as condições originais de há 4,5 mil milhões de anos”, acrescenta.

“Deste modo, quando voarmos sobre o Ultima, poderemos ver como eram as coisas no início”.

Muito rápido, muito perto

A nave espacial New Horizons viaja pelo Universo a uma velocidade de 51.500 km/h, ou cerca de 1,6 milhões de quilómetros por dia.

A essa velocidade, se colidir com um objeto tão pequeno como um grão de arroz, a sonda pode ser destruída. Mas se sobreviver à viagem, a nave tirará centenas de fotos de Ultima Thule, com a esperança de revelar a sua forma e a sua geologia.

A New Horizons enviou imagens impressionantes de Plutão em 2015, algumas das quais mostraram uma forma de coração na superfície do planeta nunca vista até então.

Desta vez, “tentaremos tirar fotografias com uma resolução três vezes maior do que a que tínhamos para Plutão”, diz Stern.

Mas o sobrevoo “requer uma navegação extremamente precisa, muito mais do que a que experimentámos antes”.

Respostas

O Ultima Thule foi descoberto pelo telescópio espacial Hubble em 2014. Os cientistas notaram em 2017 que o Ultima Thule não é esférico, mas possivelmente alongado. Inclusive poderia tratar-se de dois objetos.

Este corpo, além disso, não projeta a luz que os cientistas esperam ver num objeto em rotação, o que gera muitas perguntas. Pode ser que esteja rodeado de poeira cósmica ou de pequenas luas, por exemplo.

A agência espacial americana espera que a missão forneça respostas.

As primeiras imagens devem chegar na tarde de 1 de janeiro e ser publicadas no dia seguinte.

Alan Stern espera que esta missão não seja a última para a New Horizons, lançada pela NASA em 2006. Os cientistas pretendem caçar outros artefactos do Cinturão de Kuiper e “sobrevoar após 2020”, segundo Stern.

FONTE MadreMedia / AFP24.SAPO.PT

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24.SAPO.PT
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