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Luís Filipe Vieira detido por ordem do Tribunal Central de Instrução Criminal

O presidente do Benfica e o empresário conhecido como “O Rei dos Frangos” foram alvo de buscas. Estão em causa suspeitas de abuso de confiança, burla e fraude fiscal

Luís Filipe Vieira foi detido por ordem do Tribunal Central de Instrução Criminal. A TVI avança que está detido na PSP de Moscavide. O Observador já tinha avançado que os mandados de busca emitidos por ordem do juiz Carlos Alexandre previam a detenção de vários suspeitos.

Tanto Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, como o empresário José António dos Santos (conhecido por “O Rei dos Frangos”) estão a ser alvo de buscas, avançou o Sol e confirmou o Observador. As buscas em curso são lideradas pelo juiz Carlos Alexandre e estão relacionadas com um inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal liderado pelo procurador Rosário Teixeira, coadjuvado pela Autoridade Tributária.

Os crimes sob suspeita incidem sobre atividade de Luís Filipe Vieira como presidente do Benfica, nomeadamente alegados crimes de abuso de confiança sobre a alegada venda de 25% do capital social da Benfica SAD. Outros alegados ilícitos, como burla qualificada, estão relacionados com os créditos concedidos pelo Novo Banco ao grupo empresarial de Vieira.

Trata-se de uma “operação de grande dimensão”, segundo descrição feita ao Observador por fontes judiciais.  Além de Carlos Alexandre, há mais juízes de instrução e diversos procuradores na rua a concretizarem buscas a mais de 30 locais com recurso a inspetores da PSP e da Autoridade Tributária.

Fundo gerido por ex-vice-presidente do Benfica foi alvo de buscas

A operação tem como alvo principal Luís Filipe Vieira, estando a ser realizadas buscas a diversos escritórios relacionados com o presidente do Benfica. Um dos alvos relacionados com Vieira são o escritórios da sociedade gestora de fundos, a C2 Capital Partners, de Nuno Gaioso Ribeiro, ex-vice-presidente do Benfica muito próximo dos negócios de Luís Filipe Vieira.

A C2 Capital Partners, da qual Vieira e o filho chegaram a ser acionistas, ficou a gerir o património imobiliário do presidente do Benfica que passou para o controlo do Novo Banco. A reestruturação envolveu mais de 200 milhões de euros da dívida de Luís Filipe Vieira ao Novo Banco e foi um dos temas que centrou as atenções dos deputados da comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco.

Os crimes sob suspeita

Em causa estão suspeitas de crimes de burla qualificada e fraude fiscal que incidem sobre Vieira e “O Rei dos Frangos”. O Sol noticia ainda que está a ser investigado um crime de burla qualificada ao Fundo de Resolução que detém a participação do Estado no Novo Banco, além de alegados ilícitos de abuso de confiança que estão alegadamente relacionados com a venda de 25% do capital da SAD do Benfica a um empresário internacional.

O Fundo de Resolução detém 25% do capital social do Novo Banco e é a entidade pública que paga ao Novo Banco sempre que há perdas em ativos que estão incluídos no mecanismo de capital contingente acordado entre o Estado e a Lone Star aquando da venda da maioria do capital social do banco àquele fundo norte-americano. O grupo empresarial de Luís Filipe Vieira é um dos grandes devedores do Novo Banco, cujas perdas têm sido financiadas pelo Fundo de Resolução e que ascendem já a cerca de 181 milhões de euros.

fonte: Texto de Luís Rosa, Filomena Martins, Carlos Diogo Santos e Ana Cristina Marques observador.pt

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