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‘Caso’ Sanna Marin ligado a “cultura”. “Pouca importância” se fosse homem

Para o politólogo António Costa Pinto, o episódio não passa de uma "tabularização das democracias", baseada em "culturas políticas locais".

O episódio não teve nada de excecional”. Foi desta forma que o politólogo António Costa Pinto caracterizou a polémica que tem cercado a primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, após a divulgação de vídeos nos quais a chefe do Governo surge em clima de festa com celebridades e amigos. Em declarações ao Notícias ao Minuto, o especialista considerou que tudo não passa de uma “tabularização das democracias”, baseada em “culturas políticas locais”.

Isto porque, como recordou, a líder de 36 anos frequentou uma “festa privada da qual saíram imagens clandestinas”.

“O facto de a primeira-ministra ter feito voluntariamente testes [de despistagem de droga] caracteriza a tabularização das democracias”, fenómeno que não se verificava de forma tão acentuada no Ocidente, esclareceu.

A seu ver, teria “pouca importância” se, no lugar de Sanna Marin, estivesse um homem, uma vez que a polémica tem por base “culturas políticas locais”.

O politólogo usou a título de exemplo os episódios em que primeiros-ministros de direita radical italianos foram vistos a “dançar com jovens em biquíni”, situações que “não têm qualquer impacto nas eleições”, mas “não acontecem na democracia norte-americana ou inglesa”, devido às “culturas políticas nacionais diferentes”.

O mesmo poderá dizer-se de Portugal, onde Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, é conhecido por furar protocolos e aproveitar dias de praia com descontração, somando fotografias e conversas com quem se aproxima – para espanto dos imigrantes, que descrevem a situação como “fantástica”, “inacreditável” e uma “maravilha”.

António Costa Pinto indicou, por isso, que este “fenómeno aponta para uma característica progressiva das democracias contemporâneas, que é uma promiscuidade entre a vida privada e a pública”.

Recorde-se que Sanna Marin tem sido alvo de uma chuva de críticas, depois da publicação de um vídeo em que surge a dançar com várias figuras públicas finlandesas.

Em conferência de imprensa na manhã de quinta-feira, a líder de 36 anos salientou não ter “nada a dissimular ou a esconder”, de acordo com o Politico.

Terá ainda assumido que, “como os vídeos são privados e gravados num evento privado, não seriam publicados”, sentindo-se “ofendida” com a divulgação dos mesmos.

Na sexta-feira, um novo vídeo, divulgado pelo ‘tabloid’ finlandês Seiska, mas alegadamente filmado a 7 de agosto, mostra a líder de 36 anos a dançar ao som de ‘I Gotta Feeling’, dos Black Eyed Peas, numa discoteca em Helsínquia, com um ‘homem mistério’ – entretanto identificado como sendo o cantor finlandês Olavi Uusivirta, segundo o The Independent. Perante a especulação, Marin, casada com Markus Räikkönen, rejeitou que o cantor tivesse beijado o seu pescoço, de acordo com o mesmo meio noticioso.

Já sexta-feira, a chefe de Estado anunciou ter feito um teste para despistar a utilização de drogas, frisando, contudo, que as suas responsabilidades como primeira-ministra nunca estiveram em causa, tendo direito à presunção de inocência. Os resultados foram conhecidos na segunda-feira, tendo Sanna Marin testado negativo.

Apesar da onda de solidariedade, os críticos apontam que as atitudes da líder finlandesa são irresponsáveis, face ao momento de tensão crescente com a Rússia devido à adesão do país à NATO.

Esta não é a primeira vez que Sanna Marin se vê no centro de uma polémica pela sua presença em festas. No passado, a primeira-ministra foi criticada por ter ido a uma discoteca, depois de ter contactado com um caso positivo de Covid-19.

FONTE daniela felipe noticiasaominuto.com

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