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A revolta dos talhantes em França

Acusam ativistas vegans de “violência física, verbal e moral” contra o seu negócio, em carta enviada ao ministro do Interior. “Uma forma de terrorismo”, alegam, para reclamarem proteção policial

Janelas partidas, sacos de sangue falso atirados para o interior do estabelecimento, grafítis com palavras ofensivas. Os talhantes franceses garantem que estão sob ataque dos ativistas vegan, defensores de um estilo de vida sem consumo de produtos de origem animal.

Assinada pelo líder da federação que os representa, os vendedores de carne fizeram chegar uma carta ao ministro do Interior de França, Gerard Collomb, a reclamar proteção policial contra atos classificados de “violência física, verbal e moral”, que nas últimas semanas têm aumentado por todo o país. “Uma forma de terrorismo”, acusam. Com a intenção de “impor o estilo de vida deles a uma imensa maioria”, escreve Jean-François Guihard.

A cidade de Lille e arredores tem sido dos locais mais fustigados. Pelo menos 15 estabelecimentos foram atingidos com sangue falso nos últimos meses, em ações de protesto já antes vistas em matadouros, mas muito raras em talhos. As associações de vegans já vieram condenar os ataques.

Apesar do consumo de carne ter diminuído mais de 10% entre 2002 e 2012, segundo o ministério da Agricultura francês, o país continua a ser o maior consumidor de carne vermelha na Europa. Face à revolta dos talhantes, o tema entrou na ordem dia. “Os inimigos das dietas baseadas em carne querem consignar a humanidade a cereais”, lê-se num artigo de opinião de Sébastien Le Fol, da revista Le Point. “Abaixo o totalitarismo. Longa vida ao guisado de vitela.”

FONTE Rui Antunes VISAO.SAPO.PT
FOTO Marc Piasecki

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VISAO.SAPO.PT
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